Evolução da situação no Médio Oriente e as primeiras consequências para as empresas

6 Março 2026
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A situação de segurança no Médio Oriente deteriorou-se significativamente após os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, ocorridos a 28 de fevereiro de 2026. Este episódio marcou uma escalada clara do conflito, agravando tensões já existentes e aumentando substancialmente o risco de instabilidade em toda a região.

Em resposta, o Irão lançou vários ataques e disparos de mísseis dirigidos a países vizinhos, o que levou ao encerramento imediato de diversos espaços aéreos, ao cancelamento generalizado de voos e à ativação de medidas de emergência em vários Estados da região. A reação iraniana contribuiu para intensificar a imprevisibilidade operacional e aumentar o risco para infraestruturas críticas.

Paralelamente, vários governos começaram a aconselhar a evacuação dos seus cidadãos e a impor restrições significativas, incluindo proibições de viagem para países como o Irão, o Líbano e vários países do Golfo. Estas recomendações refletem a rápida deterioração das condições de segurança e a crescente incerteza quanto à evolução do conflito.

O que precisa de saber

Medidas urgentes para garantir a segurança dos viajantes

Tendo em conta a elevada volatilidade do contexto regional e o impacto direto na segurança dos Colaboradores em deslocação, recomenda-se a implementação imediata das seguintes medidas:

  • Suspender todas as deslocações para as zonas afetadas e consultar as recomendações do Ministério dos Negócios Estrangeiros (https://portaldiplomatico.mne.gov.pt/).
  • Manter contacto permanente com os Colaboradores que já se encontram na região.
  • Confirmar que cada viajante dispõe de todos os contactos de Assistência, incluindo linhas de emergência médica, operacional e de segurança.
  • Proceder à inscrição na plataforma Registo Viajante (https://registoviajante.pt) e garantir o registo junto da embaixada competente, permitindo às autoridades identificar a presença de cidadãos na zona e ativar apoio institucional em caso de crise.
(com base em informações da Crisis24 e em comunicações partilhadas pelas embaixadas – a Verlingue retransmite estas recomendações)

Pontos operacionais de atenção para as empresas e equipas internacionais

Prioridades para Colaboradores em deslocação na região

  • Identificar de imediato todos os Colaboradores presentes nos países afetados, incluindo Emirados Árabes Unidos, Qatar, Bahrein, Kuwait, Iraque e Israel, estabelecendo pontos de contacto regulares e um procedimento de escalada em caso de ausência de resposta.
  • Suspender todas as viagens não essenciais para a região, de modo a reduzir a exposição a interrupções de transporte, instabilidade súbita e eventuais limitações consulares.
  • Considerar os principais hubs do Golfo como zonas de elevado risco de disrupção, tendo em conta o encerramento recorrente de espaços aéreos e a possibilidade de cancelamentos de última hora.
  • Manter os Colaboradores em alojamento seguro até confirmação das rotas de saída.
  • Evitar alojamentos próximos de infraestruturas sensíveis.
  • Atualizar os planos de contingência aérea, identificando rotas alternativas, procedimentos para a gestão de viajantes retidos e soluções para prolongar alojamentos de forma segura e organizada.

Medidas de continuidade para expatriados e equipas locais

  • Ativar os planos de continuidade de negócio (teletrabalho, limitação de deslocações e revisão dos protocolos de segurança).
  • Reforçar as capacidades de confinamento durante um período mínimo de 72 horas.
  • Informar a sede de alertas: intensificação dos ataques, ativação de grupos armados afiliados, danos a infraestruturas críticas, novos encerramentos de espaços aéreos.

Alertas das embaixadas

As embaixadas e os consulados apelam à máxima vigilância e recomendam prudência perante qualquer proposta de assistência ou evacuação que não seja oficialmente verificada.

Impactos seguradores: situação atual do mercado Marine & Transport

A situação atual tem repercussões diretas nas operações marítimas, com o mercado segurador a reagir com elevada prudência, face ao nível de exposição na região.

Evoluções esperadas nas garantias Cargo

Os seguradores procuram reduzir a sua exposição, através da atualização das listas CESAM e da JCC Global Cargo Watch List.

Decisões recentes dos Clubs P&I

A maioria dos clubes emitiu Notices of Cancellation (NOC) relativamente a garantias não mutualizadas (P&I a prémio fixo e responsabilidade civil de afretadores).

Após o período de pré-aviso:

  • as navegações no Golfo Pérsico/Golfo Árabe e em águas iranianas deixarão de estar abrangidas pelas garantias automáticas de riscos de guerra;
  • estão em análise soluções de buyback para uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz e para navios atualmente presentes na zona.

Exclusões já em vigor para Cascos (Hull & Machinery)

O Golfo Pérsico e grande parte da região circundante já se encontram excluídos das coberturas automáticas, de acordo com as zonas JWLA, com extensão às zonas adjacentes desde 04/03/2026.

As nossas equipas permanecem mobilizadas para apoiar as empresas.

Num contexto em rápida evolução, os nossos especialistas apoiam os Clientes na análise das suas exposições, na adaptação dos dispositivos de gestão de risco e na compreensão dos impactos nas coberturas de seguro e na proteção dos seus Colaboradores.