Portugal entre os países mais envelhecidos do mundo: Verlingue alerta para os “contratempos” de viver mais num mundo incerto

13 maio 2026
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Portugal está já entre os três países mais envelhecidos do mundo e aproxima-se de um cenário em que poderá existir pouco mais de um trabalhador por pensionista. Perante este contexto, a III Conferência Verlingue Expertise colocou a Longevidade sob o mote do “CONTRATEMPO”, destacando que, num percurso de vida cada vez menos linear, se torna essencial antecipar riscos, reforçar a proteção e investir na prevenção, para garantir não apenas mais anos de vida, mas mais qualidade ao longo desse tempo.

Promovido pela Verlingue Portugal, o encontro teve como objetivo contribuir para o aumento da literacia em seguros e reforçar a consciência sobre os desafios e oportunidades associados à Longevidade, com impacto direto nas empresas, nos sistemas sociais e nas diferentes gerações.

Num momento em que a Longevidade se afirma como um dos temas estruturais da sociedade, a conferência destacou a importância da colaboração entre setores público e privado, contando com a participação do Instituto da Segurança Social, Universidade Católica Portuguesa, Caixa de Previdência dos Advogados e Solicitadores (CPAS), Adecco, Associação Terra dos Sonhos e CUF. O evento contou ainda co

m o patrocínio da AIG, Generali Tranquilidade, MetLife e Multicare (Fidelidade), reforçando a relevância e o envolvimento do setor segurador na resposta a este desafio.

Na sessão de abertura, José Félix Morgado, Presidente do Conselho de Administração da Verlingue Portugal, defendeu que viver mais exige maior capacidade de antecipação do risco. “A Longevidade não é apenas uma conquista demográfica, é um desafio coletivo que exige novas respostas ao nível da proteção, da prevenção e da sustentabilidade ao longo de todo o ciclo de vida”, sublinhou.

Pressão crescente sobre o sistema social

Pedro Corte Real, Presidente do Instituto da Segurança Social, traçou um retrato claro da realidade portuguesa: atualmente, existem cerca de 2,63 ativos por cada reformado, num contexto de redução progressiva da força de trabalho, aproximando o país de um cenário em que poderá existir pouco mais de um trabalhador por pensionista. Neste contexto, alertou para a necessidade de reforçar a sustentabilidade do sistema, defendendo uma abordagem integrada entre os diferentes pilares da reforma (público, ocupacional e individual) e um maior investimento em literacia financeira, bem como em soluções de poupança e proteção.

Empresas no centro da resposta à Longevidade

O primeiro painel evidenciou que a Longevidade já está a transformar o mundo do trabalho e a redefinir as expectativas dos Colaboradores. Alexandra Andrade, Country Manager da Adecco Portugal, destacou que os profissionais valorizam cada vez mais segurança, bem-estar e proteção ao longo de carreiras mais longas e incertas, tornando os benefícios não salariais um fator crítico na atração e retenção de talento. Partilhou ainda que, atualmente, já coexistem até cinco gerações no mercado de trabalho, o que reforça a complexidade da gestão de talento e a necessidade de soluções de proteção mais flexíveis e adaptadas a realidades distintas.

Esta visão foi complementada por Alexandra Cordeiro, Head of Health da Verlingue Portugal, que sublinhou a necessidade de uma mudança de paradigma nas organizações: da resposta reativa ao sinistro para uma abordagem preventiva e contínua, assente numa cultura de saúde, bem-estar e literacia. A integração entre saúde física, mental e financeira foi apontada como essencial para reduzir riscos, absentismo e perdas de produtividade, garantindo soluções relevantes para uma força de trabalho cada vez mais diversa e multigeracional.

A dimensão humana da proteção esteve no centro da intervenção de Madalena D’Orey, Consultora e Patient Advocate da CUF e fundadora da Associação Terra dos Sonhos, que lembrou o impacto emocional, social e financeiro, muitas vezes invisível, de doenças graves e eventos críticos de vida. Defendeu uma maior humanização do tema da proteção e reforçou o papel das empresas enquanto agentes ativos de apoio, não apenas financeiro, mas, também, emocional e social, sublinhando a importância da literacia e da antecipação.

Riscos invisíveis e desigualdades crescentes

O segundo painel aprofundou os riscos menos visíveis da Longevidade, nomeadamente os associados a carreiras mais longas e fragmentadas. Pedro Mota Soares, Vice-Presidente da CPAS, alertou para a vulnerabilidade financeira crescente, sobretudo entre trabalhadores independentes, e para a necessidade de reforçar soluções complementares de proteção. Destacou ainda o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido em parceria com a Verlingue Portugal, no sentido de reforçar os mecanismos de proteção no âmbito do sistema próprio da CPAS.

Céline Abecassis‑Moedas, Pró‑Reitora, Professora e Diretora do Center of Longevity Leadership da Universidade Católica Portuguesa, destacou o trabalho desenvolvido pela Universidade Católica Portuguesa, nomeadamente através do Longevity Leadership Programme e do Center on Longevity Leadership, enquanto plataformas de investigação e de ligação ao tecido empresarial, reforçando a importância de aproximar conhecimento científico na resposta aos desafios económicos e sociais de uma população mais envelhecida. Apoio, ainda, a adoção de modelos de educação inversa, nos quais as gerações mais jovens assumem um papel ativo na transmissão de conhecimento aos mais seniores, refletindo novas dinâmicas de aprendizagem.

António Pedro Barreiro, Mestre em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Católica Portuguesa e aluno do Executive MBA da AESE Business School, trouxe a perspetiva das gerações mais jovens e destacou a intergeracionalidade como estratégia para diluir riscos e robustecer a cultura das instituições. Sublinhou a importância de redescobrir ritos de passagem que ajudem a prevenir a infantilização da juventude e alertou ainda para os riscos de uma longevidade mal vivida, que pode conduzir ao “isolamento geracional dos incumbentes, promovendo uma visão excessivamente centrada no presente e limitando a capacidade de reflexão estratégica de longo prazo.”

“Estamos preparados para viver mais num mundo mais incerto?”

No encerramento, Miguel Morgado, Professor no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, lançou uma reflexão provocadora sobre as novas vulnerabilidades associadas ao aumento da esperança média de vida, defendendo que a Longevidade deve ser abordada como um fenómeno económico, social e político, e não apenas biológico. Inspirando-se no pensamento de Francis Bacon (século XVII), um dos primeiros autores a defender que a ciência deveria contribuir para prolongar a vida humana, foi sublinhado que viver mais só constitui um verdadeiro progresso se estiver associado a mais qualidade, proteção e capacidade de antecipação do risco. Neste contexto, destacou ainda profundas transformações sociais em curso, como o aumento dos divórcios, a diminuição dos casamentos, a redução da natalidade para níveis inferiores a dois filhos por casal e o crescimento da solidão, fatores que reforçam a necessidade de repensar os modelos de proteção e apoio ao longo da vida. “Estamos preparados para viver mais tempo num mundo mais incerto?”, foi o desafio deixado à sociedade, às empresas e aos decisores.

Com a realização da III Conferência Verlingue Expertise, a Verlingue Portugal reforça o seu posicionamento como parceiro estratégico na antecipação do risco e na construção de soluções de proteção sustentáveis, contribuindo para uma sociedade mais preparada para os desafios da Longevidade.